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Prova de gratidão


"Mostra-me um sinal do teu favor, para que o vejam aqueles que me odeiam, e sejam envergonhados, por me haveres tu, Senhor, ajudado e confortado" (Salmos 86.17).

Há, ainda hoje, pessoas que pedem a Deus provas palpáveis do seu amor e poder, quando, na realidade, elas estão sempre presentes. Basta que acompanhemos os acontecimentos nas menores coisas, nas situações as mais simples. Deus sempre se faz presente em nossa vida diária; e preciso que o sintamos a nos conduzir para o lado do bem e no caminho que lhe agrada.

Uma pequena formiga parou de trabalhar, a fim de observar uma pombinha branca que de asas abertas voava pela amplidão. O entusiasmo foi tão grande que a formiguinha nem reparava onde punha as pernas. Sem saber como, caiu nas aguas de um regato que ali corria. Teria sido levada pelas aguas se a pomba não a visse quando de um voo rasteiro. Interrompeu suas acrobacias e desceu ate quase tocar as aguas; depois, com um fino galho preso ao bico, conseguiu salvar a formiguinha, que saiu gotejante do regato e se estendeu na relva fina para se aquecer ao sol.

Como farei para demonstrar gratidão e reconhecimento a essa tão doce ave que me socorreu com tanta presteza? - pensava a formiguinha. Enquanto isso, ia acompanhando com o olhar a generosa pombinha, que retornara ao voo. Acontece que a oportunidade não tardou muito a aparecer.

Na tarde do dia seguinte, a pombinha, exausta dos seus novos exercícios e sentindo um forte calor, pousou num ramo de arvore junto ao regato e ali adormeceu. Um garoto desocupado, que vivia a caca de passarinhos com seu bodoque, viu a pomba que dormia despreocupadamente. Era uma presa fácil. Assim, sem perda de tempo, o moleque procurou algumas pedras e, colocando-as de jeito, usou uma entesando o arco, fez pontaria, já preparado para atacar. A formiguinha, que voltava para casa trazendo uma enorme carga as costas, viu angustiada aquele gesto impiedoso. Largou o fardo e pensou: O que fazer nesse momento para alertar a pombinha? Em fração de segundo, ela decidiu a coisa com acerto. Aproximou-se do garoto e Ihe deu uma forte ferroada no calcanhar.

- Ai... ai... ai! Mas que dor... - gritou o moleque, erguendo o pé e esfregando o local onde a formiga o picara.

A decisão funcionou direitinho, porque a pombinha acordou espantada com o grito do garoto e, quando viu bem de perto o perigo tão serio que ameaçava sua própria vida, abriu rapidamente as asas e alçou um voo ligeiro, desaparecendo no azul do firmamento.

O garoto, desapontado, seguiu seu caminho, levando uma marca avermelhada no calcanhar... Enquanto isso, a formiguinha feliz agradecia na sua linguagem a oportunidade que teve de, embora pequenina e frágil, poder recompensar um favor recebido, numa hora oportuna.

De onde veio esta página. Do arquivo index__url_astral_e_fe_contos_religiosos_074.html.html, recuperado das capturas do Internet Archive. O texto acima é o mesmo, palavra por palavra: só a tipografia mudou.

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