O Homem do Trombone


O ex-Senador Antônio Carlos Magalhães renunciou ao mandato, mas não a sua pose e popularidade. Mesmo depois de todas as acusações, violações, afirmações, negações e outras coisas mais, não é que ele ainda saiu por cima? Manteve sua pose no melhor estilo Coronel. Disparou para todos os lados, pôs medo até em seu partido e pulou do barco para não ser cassado. Mas antes, como um bom "Velho Lobo do Mar", jogou Arruda aos tubarões e só abandonou a embarcação quando não tinha mais jeito. Porém, pensou em todos os detalhes, até em quem o substituiria se a maré viesse a afogá-lo. Com seu filho como substituto, ACM deixa o cargo, mas não deixa o poder.

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Ao chegar na Bahia após a renúncia, foi recebido em grande estilo por seu povo. Parou o Pelourinho, parou Salvador. Tocou trombone, fez discurso, andou no meio da multidão, como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, como se tivesse vencido e não fracassado, como fracassou. Uma grande festa, como aliás, quase tudo em nosso país.

ACM deixou o Senado, mas prometeu voltar. E pior, insinuou voltar na posição de Presidente da República. Apesar das recentes vitórias e surpresas nas últimas eleições, uma dúvida insiste em permanecer nos pensamentos: será que ele ainda ganha? A tendência é que o período do "coronelismo" realmente acabe e que a cara da política brasileira mude daqui para a frente. Mas o risco ainda existe.

Todo mundo está cansado de saber que em matéria de política, o povo, que é quem "elege" e deveria ser o maior beneficiado, é sempre o último a saber e quem menos entende o que de fato está acontecendo. É como se o povo fosse um marido traído e todos da vizinhança soubessem da traição, menos ele. O povo passa na rua e todo mundo o aponta, tira sarro e ele, sofre. É o grande enganado e não sabe por que. 

Violação do Painel? Isto é "fichinha". Ninguém nos garante que neste exato momento não estejam sendo planejadas ações bem mais nocivas e sujas. Liberação de verbas para acabar com CPI, Medidas Provisórias que punem a população pelos erros do governo, aumento de salários de políticos, coisas tão mesquinhas e até descaradas, que são divulgadas todos os dias e que faltam ao respeito, à dignidade e honra do povo brasileiro.

Antes da abertura do processo de cassação de ACM e Arruda, falava-se que a punição aos senadores era fundamental para que a imagem do Senado não fosse abalada. Faz tempo que a imagem do governo em geral está desestabilizada. Mas está claro que a abertura do processo de cassação e a renúncia dos dois senadores mantém o mínimo de credibilidade da política federal. Os brasileiros que saíram às ruas ou que acompanharam todo o caso pela mídia, sentem-se confortados e talvez até esperançosos com a virada e o fim de mais uma triste e importante página da história nacional.

Lucas Soares
daemon@netlove.com.br

Fotos: Agência Estado

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