O que é psicoterapia holística?
O termo HOLISMO tem origem em HOLOS (totalidade) e foi utilizado pela primeira vez, em 1926, pelo filósofo sul-africano, Jan Christian Smuts, em seu livro "Holism and Evolution", no qual ele estabeleceu uma relação entre vida e matéria, considerando-as como partes de uma totalidade maior e única, onde cada conjunto ou sistema completo em si mesmo integra-se a conjuntos cada vez mais aperfeiçoados e abrangentes.
Esta idéia sobre sistemas inter-relacionados expandiu-se rapidamente pelos cérebros pioneiros do pensamento científico, que passaram a buscar apoio para suas pesquisas em novas e revolucionárias teorias da Física Moderna.
Depois de 300 anos baseada na mecânica de Isaac Newton, com suas leis previsíveis, a ciência viu-se ás voltas com a possibilidade da reversão de energia em matéria; com a possibilidade da energia manifestar-se ora como onda, ora como partícula; com novos conceitos de probabilidade que jogaram por terra a certeza e a concretude dos modelos científicos de até então.
A Física Moderna abriu campo para o imponderável, e nada melhor do que o imponderável para servir de base á compreensão do inconsciente humano, com sua predominante característica de imprevisibilidade.
O novo pensamento emergente no campo da Física mudou totalmente nossa visão de mundo. Segundo Fritjof Capra, um dos maiores físicos da atualidade, deixamos de pensar o homem como o dono e senhor de um reservatório inesgotável de bens planetários, criados para uso ao seu bel-prazer. Para Capra, de acordo com sua Teoria Sistêmica, a célula, um sistema completo em si mesmo, integra um tecido, que compõe um órgão, que pertence a um indivíduo, que vive numa família, dentro de uma sociedade, num país, num continente, no planeta Terra... Agora somos um sistema em interdependência com outros sistemas, dentro e fora de nós mesmos. A preservação de nossas vidas depende tanto da manutenção da saúde de nossas células, como da saúde da natureza a nossa volta. Hoje sabemos que, se não cuidarmos adequadamente dos vários sistemas aos quais estamos integrados, nossa sobrevivência corre sérios riscos. Este mesmo pensamento norteou a busca de alguns profissionais da área de comportamento humano. Longe de ter um mentor ou um teórico único que lançasse sua nova teoria, a Abordagem Holística em psicoterapia, fiel á sua característica de sincronicidade (simultaneidade de eventos no tempo) surgiu em várias partes do mundo, quando psicoterapeutas e demais estudiosos do psiquismo humano sentiram a necessidade de dar um basta à fragmentada e especializada visão do homem. Buscaram-no em sua totalidade, procurando compreendê-lo como um Ser cujo corpo é um sistema completo em si mesmo, por sua vez, interligado e interdependente de seus níveis emocional, mental e espiritual. Perceberam, também, que dentro dessa visão, a célula tem o mesmo comportamento do indivíduo ao qual pertence; que indivíduos alegres têm células "alegres", saudáveis e um sistema imunológico forte e resistente, assim como indivíduos depressivos apresentam-se mais sujeitos a doenças em geral.
A compreensão desse Homem Total, levou-me, como estudiosa e técnica do comportamento humano, á busca de instrumentos ou procedimentos terapêuticos que facilitassem o processo de integração do indivíduo em seus vários níveis de funcionamento. A idéia inicial não era a de sair reunindo teorias como numa "salada", sem nenhuma correlação. Eu não buscava um procedimento eclético. Era necessário que tais procedimentos tivessem pontos em comum e um mesmo apoio filosófico e teórico. Havia também a necessidade de que fosse um procedimento mais dinâmico, breve em termos de tempo, de efetividade de resultados, sem que fosse superficial. Ao mesmo tempo, no dia-a-dia do consultório, os fenômenos característicos de estados alterados de consciência sucediam-se, desafiando a minha compreensão e cobrando-me explicações teóricas para o ocorrido. Afinal, não é esta a função da ciência?
Passaram-se onze anos. Hoje, como Psicoterapeuta Holística, vejo o Ser Humano como um ser total e dinâmico, em permanente processo de aperfeiçoamento, nos seus diferentes níveis de funcionamento: Físico, Cinestésico (nível de sensações), Emocional, Mental Inferior (pensamento objetivo), Mental superior (nível de ideais), Intuitivo e Espiritual.
Para auxiliar o cliente no processo de integração desses níveis, disponho de um conjunto de técnicas oriundas de teorias já existentes dentro da Psicologia e que, por suas origens e história, têm pontos de interligação, acrescidos de conhecimentos complementares, sintetizados na Abordagem Holística. São elas: A Bioenergética, a Gestalt-Terapia, A Programação Neuro-Lingüística, a Psicologia Transpessoal, a Física e a Metafísica, a partir da qual tenho um novo corpo teórico, mais abrangente e capaz de apoiar-me na atuação terapêutica frente aos mais diversos fenômenos do psiquismo humano.
Em relação ao nível físico, posso trabalhar na elaboração do conteúdo emocional de várias doenças e sintomas, com excelentes resultados. Quanto ao nível cinestésico posso, hoje, compreender uma série de percepções de sensações internas, não explicáveis sem a noção de corpo energético, como nos casos de amputações, por exemplo.
A nível emocional, utilizando técnicas holísticas e trabalhando com estados mentais de regressão, dissociação e associação, posso facilmente promover o esvaziamento emocional e a re-atualização do inconsciente no tempo, auxiliando grandemente o cliente em questões que antes demandavam um longo tempo de atuação terapêutica, como nos casos de síndromes de pânico, depressões, comportamentos obsessivos-compulsivos etc.
A nível mental objetivo, o cliente pode contar com procedimentos terapêuticos que o auxiliam a reorganizar-se no seu dia-a-dia de relação com a vida na terceira dimensão.
No nível mental superior, o cliente encontra dentro de si mesmo a melhor expressão para os seus ideais e objetivos de vida.
No nível intuitivo, o cliente aprende a utilizar este poderoso instrumento de insights e de soluções de problemas que é a sua intuição, canal de comunicação ao mesmo tempo, com o seu nível mais essencial, com o seu Eu Superior ou Individualidade. Neste caso, aprende a respeitar-se em termos de potencial e características, direcionando sua vida segundo suas tendências naturais e segundo as probabilidades instaladas em sua programação inconsciente de vida, dentro de um Plano Divino que visa o aperfeiçoamento.
Através desta abordagem, o cliente aprende a aprofundar sua respiração, utilizando-a como instrumento de harmonização do seu organismo. Ganha flexibilidade corporal, espontaneidade, desperta sua criatividade e expressa sua sexualidade de forma natural e equilibrada, desenvolvendo autoconfiança, a partir da melhor integração de suas partes psíquicas inconscientes. Alcança a ampliação de potenciais internos, descobrindo que, na realidade, é muito maior do que pensa enquanto SER. Transcendendo o nível de consciência, mergulha em sua própria Essência, descobrindo um imenso manancial de recursos, num campo quadridimencional, onde todas as mentes se comunicam e se interinfluenciam e onde transformações fantásticas tornam-se possíveis, através da mudança de programas deste maravilhoso "computador" que é a mente humana.
À medida que cada pessoa se aprofunda em seu próprio inconsciente, neste processo de auto-descoberta, sua consciência se amplia, levando-a a uma nova percepção de mundo; a uma relativização de conceitos muitas vezes radicais e absolutos, que atuam como fatores Auto-Limitantes de seu crescimento pessoal.
Uma visão relativa de mundo torna o Ser Humano mais tolerante e compreensivo em relação a si e aos outros, facilitando os inter-relacionamentos pessoais e a emergência dos recursos necessários para que ele alcance metas pessoais de vida. Crescendo enquanto SER, o indivíduo contribui para o crescimento da sociedade como um todo e torna possível, um dia, alcançarmos o ideal de um mundo melhor e mais harmonioso.
Autora: Sueli Meirelles
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