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Abra-Melin - A magia sagrada


Introdução

É comum confundir a Magia Sagrada de Abra-Melin com o mago Druida Merlin da época de Camelot. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Deixo para você um texto introdutório e com resumo do que se baseia a Magia de Abra-Melin. Lembre-se que o texto não explica a fundo cada passo do que vem a ser esse caminho. Para aqueles que querem se aprofundar no assunto, recomendo que procurem obras mais exatas, já que se trata de um caminho muito delicado.

A Magia Sagrada explica a sua doutrina e as técnicas que estão associadas a ela com muita mais claridade e consistência do que nenhum outro grimório. Segundo o texto, a maquinaria do cosmo está controlada por demônios que atuam sob a direção de anjos; o homem ocupa uma posição intermediária entre o angélico e o demoníaco, e cada ser humano tem designado à sua alma um demônio malévolo e um anjo da guarda. O processo explicado em A Magia Sagrada tem por objetivo conseguir "o conhecimento e a conversação" deste anjo guardião; assim que o consiga, o mago poderá controlar os demônios que manejam o universo, ressuscitar os mortos, curar os doentes, encontrar tesouros ocultos e inclusive voar.

Claro tudo isso não deve ser tomado ao pé da letra. Os magos modernos que estudaram o sistema de Abra-Melin - especialmente S.L. MacGregor Mathers, Aleister Crowley e Dion Fortune - afirmam que o "Santo Anjo da Guarda" não deve ser considerado como uma entidade com personalidade própria mas como a capa mais profunda do subsconsiente, o Ego definitivo, o mais autêntico "EU", que, no entanto, participa paradoxalmente da natureza divina.

O modo de vida do devoto que procura o seu anjo guardião pelo método de Abra-Melin se assemelha notavelmente ao do santuário oriental, se trate de um dervixe ou de um iogue: deve se retirar do mundo durante seis meses pelo menos, "inflamar-se de orações", invocar os anjos, queimar o "incenso de Abra-Melin" e dedicar pelo menos duas horas ao dia à leitura de "livros santos".

Ao concluir este período, o mago, acompanhado por um menino -em todas as épocas os meninos que não alcançaram a puberdade eram considerados como possíveis canais entre a terra e o céu -, se ajoelha diante do seu altar, sobre o qual foi colocado uma bandeja de prata. O anjo se manifestará ao menino, que o verá escrever na bandeja uma mensagem simbólica, só decifrável pelo mago.

Sucedem-se então sete dias de fenômenos sobrenaturais, sendo o principal a aparição do anjo ao mago para ensinar a arte de controlar os espíritos, bons e maus. Depois disto, o mago pode utilizar sem risco o "talismã de Abra-Melin", quadrados de letras supostamente capazes de fazer maravilhas. Por exemplo, o seguinte quadrado permitiria ao mago voar em forma de corvo:

 

PRIVATE R

O

L

O

R

O

B

U

F

O

L

U

A

U

L

O

F

U

B

O

R

O

L

O

R

 

O autor da magia sagrada de adverte solenemente aos seus leitores de que não utilizem este quadrados antes de terem desfrutado do conhecimento e da conversação do seu santo anjo da guarda. Numerosos ocultistas modernos opinam que a advertência está justificada, mencionando, por exemplo, o caso do compositor "Peter Warlock" (Philip Heseltine), que escreveu no seu braço um dos quadrados de letras de Abra-Melin para conseguir que sua esposa voltasse com ele; o feitiço funcionou e a dama regressou com o seu marido, mas ele se suicidou pouco tempo depois.

Uma carta anônima à Occult Review contava um caso similar; nesta ocasião, o emprego das quadrados de Abra-Melin tinha provocado varias experiências desagradáveis, entre os quais se destacavam a visão de "um grande obelisco vermelho" caindo através da parede do quarto do mago.

Estes relatos espetaculares podem causar a impressão de que A Magia Sagrada é um sistema sensacional; nada mais longe da verdade: todo ele se baseia na quietude. Abra-Melin carece completamente da exuberância que caracteriza muitos outros grimórios, aproximando-se mais ao tranqüilo intelectualismo de alguns magos eruditos do Renascimento.

Francis King


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