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Quem já vivenciou a experiência de sentir os
filhos agarrados em seus braços, envergonhados de responder a um cumprimento
ou com medo de participar de uma festinha, sabe como é complicado conviver e
viver a timidez.
Muitos pais não sabem como lidar com o comportamento da criança tímida e,
talvez, por desconhecerem as causas da timidez, repreendem, rotulam seus
filhos ou assumem posturas que reforçam ainda mais a insegurança da criança.
O medo da crítica e a rigidez excessiva consigo podem gerar crianças
inseguras, com baixa auto-estima, que acreditam ser necessário atingir a
perfeição para serem aceitos por seus pares.
É comum encontrarmos crianças com as mãozinhas geladas, suando frio,
escondendo-se pelos cantos, isolando-se de todos. Estes são alguns sinais que
denunciam muitas vezes a criança tímida que encontra dificuldades para
relacionar-se, preferindo brincar sozinha e recusando-se a ir à escola quando
inicia o período letivo, uma vez que toda situação nova é altamente
desafiadora e desconfortável para esta criança. Perguntar algo ao professor é
um drama; responder a questões orais é um verdadeiro sacrifício, pois o medo
de errar e a sensação de vergonha de uma possível crítica afastam qualquer
tentativa de participação na aula. Daí a necessidade de receber segurança,
carinho e estímulo de professores e pais que, ao evitar comparações e
rotulações, auxilia a criança a entender seus sentimentos e a superar
inseguranças.
Geralmente aos três anos a criança começa a sinalizar uma aparente timidez e,
se receber ajuda no período inicial, poderá superar seus temores, porém quando
vive em um ambiente superprotetor, onde é privada de fazer suas próprias
descobertas, acertando ou errando, e a dependência é privilegiada, o processo
pode ser mais difícil, uma vez que qualquer mudança em sua rotina, que exija
iniciativa ou ação, poderá gerar frustração por não conseguir expressar-se em
situações novas sem aprovação e direcionamento.
Quando a criança é forçada a fazer o que não quer, desqualificando seus
interesses, ou quando o nível de exigência dos adultos for acima de seus
limites, a tendência é que a mesma retraia-se cada vez mais e procure o
isolamento.
Fortalecer a auto-estima da criança tímida, valorizando suas ações, conquistas
e habilidades, motivando o convívio social com amiguinhos mais próximos,
viabilizando diálogos constantes, mostrando que ela é capaz e principalmente
mostrando que ela é amada acertando ou não, são atitudes importantes que
auxiliam a superar o problema.
Lilian Nakhle
nakhle@ig.com.br
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