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Efeito Colateral


Eu era então um garoto de 11 anos, animadão com a Copa. Não perdia nenhum jogo. Sempre atento à TV, era naturalmente bombardeado o tempo todo com toques, sugestões e propagandas, mas nem percebia a influência que estas mensagens poderiam ter na minha formação.

Seguiam-se os eventos e, de repente, um dos meus ídolos, o Rivaldo, executou a mais grotesca interpretação teatral possível, fingindo receber uma bolada na cara, jogando-se no chão diante de centenas de milhões de espectadores quando, na verdade, a bola simplesmente pegou-lhe na perna. Não entendia direito aquilo, mas ia em frente.

Nos comerciais, via um anúncio que era a segunda ou terceira peça da campanha publicitária de uma marca de guaraná. É o Guga Kuerten, vendo um menino com dificuldades na máquina de moedinhas e dando uma raquetada certeira, de modo que a bola atingia o botão, liberando um monte de latas geladas, quando o garoto havia colocado apenas uma moeda.

Não satisfeito, o garoto do anúncio sugeriu ao Guga que usasse o mesmo truque da bolada num caixa eletrônico de banco. Guga diz não. Mas peraí: é uma coisa bacana aplicar truques para roubar dinheiro de uma máquina dessas? Bem, eu não sabia.

Nos dois blocos seguintes de comerciais, duas propagandas com aquela tartaruguinha esperta, a da cerveja. Na primeira, ela induzia um cozinheiro chinês a jogar uma faca para o alto e recebê-la cravada na nuca. Na segunda, o quelônio estava numa arquibancada. O torcedor à sua frente, ao comemorar, levantou os braços com a latinha de cerveja. A tartaruga simplesmente roubou a lata do cara e bebeu toda a cerveja.

Tudo bem, eu quero mesmo é ver o jogão. Mas e aí, se depois eu virar um pilantra quando crescer, será que vou me lembrar dos valiosos exemplos que tive vendo TV quando era garoto? Afinal, esporte é cultura!

Autor Anônimo


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