A Deusa-Mãe deu aos homens vida. Isso os deixava demasiadamente intrigados. Eles olhavam-se curiosos e admirados, e então partiam para buscar por comida. Lentamente descobriram que a fome poderia ter muitas formas. Certa manhã os homens seguiram um filhote de urso extraordinariamente gordo até uma colina coberta de arbustos que balançavam pesadamente com frutos vermelhos. Eles começaram a banquetear imediatamente, pouco atentos aos tremores que iniciavam sobre seus pés. Devido ao estremecimento, uma fenda abriu-se no topo do morro, e dela emergiu Pandora, com suas serpentes terrenas. Os mortais estavam paralisados de medo, mas a deusa arrastou-os para Sua aura. "Eu sou Pandora, a Doadora de todos os Presentes. Ela retirou a tampa de seu grande jarro. Dele tirou uma romã, que tornou-se uma maçã, que tornou-se um limão, que tornou-se uma pêra. "Eu trago árvores cheias de flores que dão muitos frutos, árvores retorcidas com olivas penduradas e essa videira que irá sustentar vocês". A deusa pegou no jarro uma porção de sementes as quais espalhou pela colina. "Eu trago a vocês plantas para matar a fome e para curar a doença, para tecelagem e tinturaria. Sob a minha superfície vocês encontrarão minerais e argilas de inúmeras formas". Ela pegou do jarro duas pedras achatadas. "Atentem ao meu presente: Eu trago pederneiras". Então Pandora virou seu jarro de lado, inundando por toda a colina a sua graça. Os mortais banhavam-se nas cores de Sua aura. "Eu trago maravilhas, curiosidade e memória. Eu trago sabedoria. Eu trago justiça com misericórdia. Eu trago laços de cuidado e de comunhão. Eu trago coragem, força e persistência. Eu trago amabilidade para todos os seres. Eu trago as sementes da paz".
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