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Lobisomem


Lobisomem é um misto de homem e lobo, que vagueia à noite pelos campos e ataca cães e gente. É a mais universal e antiga das superstições. O historiador Heródoto já se referia ao lykanthropos (de lykos, "lobo", e anthropos, "homem"). Desde a antiguidade passam de geração em geração lendas sobre pessoas que se transformam em animais. Lobo na Europa, hiena ou leopardo na África, tigre na Índia, China e Japão. Para os alemães e os eslavos, é o Werwolfe e o you-koddlak. Em inglês, é o werewolf; em francês, o loup-garou.

Na Europa medieval, acreditava-se que alguns indivíduos tomavam deliberadamente a feição do monstro, enquanto em outros a condição era herdada ou adquirida após a mordida de um lobisomem, e transformavam-se sob a influência da lua cheia. Na França do século XVI, essa suposta peculiaridade provocou a execução de muitas pessoas.

No interior do Brasil acredita-se que ser lobisomem é uma questão de destino. Nasce-se com este fardo. A tradição popular aponta muitos motivos para a maldição. Em alguns lugares, lobisomem é o primeiro filho homem, depois de sete filhas. Em outros, apenas o sétimo filho homem. Em outros, ainda, uma criança incestuosa ou um filho de compadre com comadre ou padrinho com afilhada.

Na região da campanha gaúcha, existe a lenda que o sétimo filho homem de um casal, quando se deita em algum lugar que um bicho ocupou, transforma-se neste bicho. Em Minas Gerais acredita-se que, nas noites de quinta para sexta-feira, o lobisomem se despe, espoja-se em uma encruzilhada ou em locais onde animais costumam fazê-lo, e sai à caça de carne jovem, geralmente crianças pequenas e filhotes de animais. 

Mas, na maior parte das regiões brasileiras, o mito mantém a tradição: ocorre, sempre, nas sextas-feiras de lua cheia quando um homem se transforma em lobo. De meia noite às duas da madrugada, esta criatura visita sete cemitérios, ou sete vilas ou sete outeiros ou sete encruzilhadas. O destino pode ser alterado se o lobisomem for ferido e sangrar. Aquele que o feriu, ficando sujo de sangue, também se tornará lobisomem. Segundo a lenda, os lobisomens podem ser mortos com uma bala de revólver, untada em cera de vela que ardeu na missa-do-galo ou durante três missas consecutivas.


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