Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu da toca com o notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois, passou por ali a raposa e viu aquele suculento coelhinho, tão distraído, que chegou a salivar.
No entanto, ela ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se curiosa:
Coelhinho, o que você está fazendo aí tão concentrado?
Estou redigindo a minha tese de doutorado, disse o coelho sem tirar os olhos do computador.
Hum... e qual é o tema da sua tese?
É uma teoria provando que os coelhos são verdadeiros predadores naturais das raposas.
A raposa ficou indignada:
Ora, isso é ridículo.
Nós, as raposas é que somos os predadores dos coelhos.
Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.
O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouve-se uns ruídos indecifráveis e alguns grunhidos de dor e depois o silêncio.
Em seguida o coelho volta sozinho e mais uma vez retoma os trabalhos no notebook. Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente a cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda. O lobo resolve saber do que se trata, antes de devorar o coelhinho.
- Olá, meu jovem coelho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
- Minha tese de doutorado, Sr. Lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os piores predadores naturais dos lobos.
O lobo não se conteve e caiu na gargalhada com a petulância do coelho:
- Ha, ha, ha... coelhinho. Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...
- Desculpe-me, mas se você quiser, eu posso apresentar a prova da minha tese.
Você gostaria de me acompanhar à minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua sorte. Ambos desaparecem toca a dentro. Alguns instantes depois ouve-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta a dedilhar o teclado de seu laptop, como se nada tivesse acontecido...
Dentro da toca do coelho, vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e peles de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.
Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme leão, satisfeito, bem alimentado e sonolento, a palitar os dentes.
Moral da estória:
Não importa quão absurdo é o tema de sua tese.
Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico.
Não importa se os seus experimentos nunca chegam a provar sua teoria.
Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos...
O que importa é quem é o seu ORIENTADOR ! |