Em uma Cidade muito rica e organizada, as pessoas não se entendiam bem umas com as outras. Por mais ordeiras que fossem, a desconfiança, a intriga e a descrença eram bem maiores.
Todo o dinheiro, riqueza e poder daquela Cidade mostravam-se impotentes para resolver o terrível problema da desunião. Mesmo orgulhosa com o próprio sucesso, mal conseguia esconder a inveja de uma feliz Cidadezinha próxima, que o despeito tornou inimiga.
Lá, embora cheios de problemas e miséria, os habitantes divertiam-se até altas horas da noite, em animadas conversas nas calçadas. A comida também não era muita na mesa de todos. Até lhes faltava uma vez ou outra o pão. Mas a alegria jamais escasseava no coração dos que viviam ali, e todos tratavam-se como irmãos. Mesmo o mais miserável recebia ajuda do semelhante, que com ele dividia sua alimentação.
Um dia, uma bela Moça da Cidade rica resolveu casar-se com um Rapaz da Metrópole pobrezinha e lá morar, levando obviamente muitas preocupações aos Pais de ambas as Cidades. Iria a Mocinha acostumar-se com a paz da Cidade vizinha ou o Rapaz conseguir sustentá-la?
Foi feita uma Comissão com membros das duas Cidades - que outra oportunidade de conhecerem-se melhor jamais haviam tido - para o problema analisar e uma solução encontrar.
Da Comissão surgiram muitas amizades e trocou-se inúmeras experiências, chegando à conclusão de que nenhum mal aquela união traria. E, mais ainda: todas as impressões que quardavam até agora uns dos outros eram totalmente incorretas. Aprenderam que o segredo para todos viverem bem era a troca de suas vantagens, com a qual beneficiariam-se mutuamente de várias maneiras.
Surgiu daí finalmente a paz e o bem estar que tanto procuravam. E outras uniões entre os povos das Cidades, agora amigas, se realizaram.
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