canais
exclusivo
buscador
Precisa de Ajuda?

Quer conhecer o seu melhor amigo na Internet?



<Seja Bem-Vindo >

  Login:

 

  Senha:

 

 » Esqueceu sua senha?
 » Quer um LovE-mail?

 Página Principal
 Novidades
 Love Mico
 Horóscopo Semanal
 Papéis de Parede
 Mar de Poesias
...

 Mural de Recados
 Espaço do Visitante
 Doutor L'amour
 Caverna Mágica
 Minha Personalidade
 Jogo do Envergonhado
...

 Filosofia
 Lá vem História
 Lendas Populares
 Mitologia Grega
 Crônicas e Textos
 Curiosidades
...

 A Fé Católica
 Orações Católicas
 Contos Religiosos
 Kardec e o Espiritismo
 Mensagens Mediúnicas
 Tudo sobre os Anjos
 Sonhos Astrais
...

 Coleção de Poemas
 Mestres da Poesia
 Coleção de Poesias

 Coletânea de Frases
...

 Balada Romântica
 Músicas Traduzidas
 Informações Gerais
...

 Top 50
 Arquivo Sortido
 Museu Net Love

  "Faça uma busca aqui"

 

  "Receba nossas novidades"

A Consciência segundo Rosseau


Não tiro dessas regras, os princípios de uma alta filosofia, mas as encontro, no fundo do meu coração, escritas pela natureza em caracteres indeléveis. Basta-me consultar-me sobre o que quero fazer; tudo o que sinto ser bem é bem e tudo o que sinto ser mal é mal: o melhor de todos os casuístas é a consciência; e só quando se comercia com ela é que se recorre às sutilezas do raciocínio. O primeiro de todos os cuidados é o consigo mesmo: todavia, quantas vezes a voz interior nos diz que, ao fazer nosso bem a expensas de outrem, fazemos o mal! Acreditamos seguir o impulso da natureza e lhe resistimos, escutando o que ela diz dos nossos sentidos, desprezamos o que diz aos nossos corações; o ser ativo obedece e o ser passivo ordena. A consciência é a voz da alma, as paixões são a voz do corpo. É espantoso que muitas vezes essas duas linguagens se contradigam? A qual delas se deve ouvir? A razão freqüentemente nos engana, não temos senão o direito de recusá-la; mas a consciência nunca engana; é o verdadeiro guia do homem: ela está para a alma assim como o instinto está para o corpo(¹); quem a segue, obedece a natureza e não teme se perder. Este ponto é importante, proseguiu meu benfeitor, vendo que eu ia interrompê-lo: esperai que eu me detenha um pouco mais a esclarecê-lo.

A moralidade de nossas ações está no juízo que delas fazemos. Se é verdade que o bem seja bem, ele o deve ser tanto no fundo de nossos corações quanto em nossas obras, e o maior prêmio da justiça é sentir que a praticamos. Se a bondade moral concorda com nossa natureza, o homem não poderia ser são de espírito, nem bem constituído, se não fosse bom. Se não concorda, então o homem é naturalmente mau e não o pode deixar de ser sem se corromper; a bondade não seria senão um vício contra a natureza. Feito para prejudicar seus semelhantes, assim como o lobo para devorar sua presa, o homem humano seria um animal tão depravado quanto um lobo desprezível; e a virtude só nos deixaria remorsos.

Penetremos em nós mesmos, oh, meu jovem amigo! Examinemos, deixando à parte qualquer interesse pessoal, para onde nossas tendências nos conduzem. Qual o espetáculo que mais nos envaidece, o dos tormentos ou o da felicidade de outrem? Que é que nos é mais doce fazer e que nos deixa agradável impressão após o ter feito, um ato benfazejo ou um ato malfazejo? Por quem vos interessais mais em vossos teatros? É com a maldade que vos divertis? É com seus autores punidos que derramais lágrimas? Tudo nos é indiferente, dizem eles, exceto nosso interesse; quando, ao contrário, as doçuras da amizade humana nos consolam em nossas penas; e mesmo em nossos prazeres, estaríamos demaisados sós e seríamos demasiados miseráveis se não tivéssemos com quem os dividir. Se nada existe de moral no coração do homem, de onde, então, provêm esses transportes de admiração pelas ações heróicas, esses transportes de amor pelas grandes almas. Esse entusiasmo da virtude, qual a relação que ele tem com nosso interesse privado? Por que eu preferiria ser Catão, que rasga as entranhas, do que César triunfante? Tirai de nossos corações esse amor ao belo, que tirareis todo o encanto da vida. Aquele cujas paixões vis sufocaram esses sentimentos deliciosos em sua alma estreita; aquele que, à força de se concentrar dentro de si, acaba por amar apenas a si mesmo, não mais tem transportes e seu coração congelado não mais palpita de alegria, assim como uma doce trnura nunca umedece seus olhos; não goza mais nada; o infeliz não sente mais, não vive mais, já está morto.


(¹) A filosofia moderna, que só admite o que explica, não deixa de admitir essa obscura faculdade chamada instinto que parece guiar os animais, sem qualquer conhecimento adquirido, no sentido de algum fim. O instinto, segundo um de nossos mais sábios filósofos (Condillac), nada mais é do que um hábito privado de reflexão, mas adquirido por reflexão; a maneira pela qual ele explica esse progresso obriga-nos a concluir que as crianças refletem mais do que os adultos, paradoxo muito estranho para valer a pena ser examinado. Sem entrar aqui nessa discussão, pergunto que nome devo dar ao ardor com que meu cão faz guerra às toupeiras que não come, à paciência com que as guarda, jogando-as por terra no momento em que saltam, matando-as em seguida para deixá-las ali, sem que jamais alguém o tenha dirigido para essa caça ou lhe ensinado que existem toupeiras. Pergunto ainda, e isso é mais importante, por que, na primeira vez em que ameacei esse mesmo cão, ele se atirou de costas no chão, as patas dobradas, numa atitude suplicante e mais própria para me comover, postura em que não permaneceria se, sem me deixar dobrar, eu lhe batesse. Quê?! meu cão, pequenino, mal acabado de nascer, já teria adquirido idéias morais? Sabia o que era clemência e generosidade? Em virtude de que luzes adquiridas esperava me acalmar, abandonando-se assim à minha discrição? Todos os cães do mundo fazem quase o mesmo no mesmo caso, e nada falo aqui que não possa ser verificado por todos. Que os filósofos, que tão desdenhosamente rejeitam o instinto, queiram explicar esse fato apenas pelo jogo das sensações e dos conhecimentos que elas nos fazem adquirir; que o expliquem de maneira satisfatória para todo homem sensato; então não teria mais nada a dizer e não mais falarei de instinto. 

(Nota de Rosseau)


Voltar

Indique essa pagina para um amigo

Clique para Imprimir esta página

Problemas na Página? Avise-nos!

Ajuda e mapa do site

Ir para o topo da página