Na Grécia antiga, a inveja foi legalizada na chamada instituição do ostracismo. Quando qualquer cidadão se notabilizava pela suas virtudes ou pela sua inteligência, a Assembléia do povo podia fazê-lo expulsar da cidade pelo período de dez anos, ainda que ele fosse a pessoa mais honesta e zelosa.
O caso de Aristides é típico. Tendo-se notabilizado como estadista íntegro e coberto de glória na batalha de Maratona, tornou-se o mais invejado dos cidadãos atenienses. Temístocles provocou o voto da Assembléia para exilá-lo. Quando a Assembléia já procedia à votação, aproximou-se do próprio Aristides um camponês analfabeto, o qual não o conhecendo, pediu-lhe que escrevesse na concha de voto, o nome de Aristides a fim de que ele fosse expulso. Aristides, com normalidade e sem revelar a sua identidade, perguntou-lhe:
"Dize-me, bom homem, que mal te fez esse Aristides para que queiras exilá-lo?"
- Nenhum, senhor. Nem o conheço. Mas estou farto de ouvir chamarem-lhe "o justo".
A decadência da Grécia não foi apenas fruto de sua desmoralização: foi também conseqüência da inveja que perseguia os grandes valores morais e intelectuais.
Autor: Mário Gonçalves Viana |