O louco cruzou o deserto, atrás do que não sabia existir. O são não quis queimar os pés na areia, que escaldava, mas era caminho.
O louco subiu árvores altas demais de subir. O são comprou a fruta no mercado. Não se arriscou no tronco, que era alto, mas era caminho.
O louco conversou com estrelas. Arriscou falar sozinho em meio a multidão. O são deu risada ao vê-lo falando ao céu, que era longe, mas era caminho.
Do resto não sei. Não vi o louco. Mas vi o são envelhecido (seu corpo e sua alma) apodrecendo agora, sem jamais ter encontrado o caminho.
Por Aline Gouvêa
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