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Minha Terra!


Quanto é grato em terra estranha 
Sob um céu menos querido, 
Entre feições estrangeiras, 
Ver um rosto conhecido; 

Ouvir a pátria linguagem 
Do berço balbuciada, 
Recordar sabidos casos 
Saudosos da terra amada! 

E em tristes serões d’inverno, 
Tendo a face contra o lar, 
Lembrar o sol que já vimos, 
E o nosso ameno luar! 

Certo é grato; mais sentido 
Se nos bate o coração, 
Que para a pátria nos voa, 
P’ra onde os nossos estão! 

Depois de girar no mundo 
Como barco em crespo mar, 
Amiga praia nos chama 
Lá no horizonte a brilhar. 

E vendo os vales e os montes 
E a pátria que Deus nos deu, 
Possamos dizer contentes: 
Tudo isto que vejo é meu! 

Meu este sol que me aclara, 
Minha esta brisa, estes céus: 
Estas praias, bosques, fontes, 
Eu os conheço são meus! 

Mais os amo quando volte, 
Pois do que por fora vi, 
A mais querer minha terra, 
E minha gente aprendi. 


Autor: Gonçalves Dias


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