Quer conhecer o seu melhor amigo na Internet?



<Seja Bem-Vindo >


Faça parte da nossa lista de discussão

 Página Principal
 Novidades
 Fórum
 Horóscopo Semanal
 Papéis de Parede
 Fale Conosco
 Cia Do Som
...

 Mural de Recados
 Espaço do Visitante
 Doutor L'amour
 Caverna Mágica
 Minha Personalidade
 Jogo do Envergonhado
 Ilusões de Ótica

 
Teste de Q.I.
 Conheça o Hugo
...

 Filosofia
 Lá vem História
 Lendas Populares
 Mitologia Grega
 Crônicas e Textos
 Curiosidades
...

 A Fé Católica
 Orações Católicas
 Contos Religiosos
 Kardec e o Espiritismo
 Mensagens Mediúnicas
 Tudo sobre os Anjos
 Sonhos Astrais
...

 Coleção de Poemas
 Mestres da Poesia
 Coleção de Poesias

 Coletânea de Frases
 Escritores
...

 Canções Eternas
 Balada Romântica
 Músicas Traduzidas
...

 Top 100
 Parceiros
 Surpresa
 Museu Net Love

  "Receba nossas novidades"

O Lutador


Lutar com palavras 1 
é a luta mais vã. 
Entanto lutamos 
mal rompe a manhã. 
São muitas, eu pouco. 
Algumas, tão fortes 
como o javali. 
Não me julgo louco. 
Se o fosse, teria 
poder de encantá-las. 
Mas lúcido e frio, 
apareço e tento 
apanhar algumas 
para meu sustento 2 
num dia de vida. 
Deixam-se enlaçar, 
tontas à carícia 
e súbito fogem 
e não há ameaça 
e nem 3 há sevícia 
que as traga de novo 
ao centro da praça. 

Insisto, solerte. 
Busco persuadi-las. 
Ser-lhes-ei escravo 
de rara humildade. 
Guardarei sigilo 
de nosso comércio. 
Na voz, nenhum travo 
de zanga ou desgosto. 4 
Sem me ouvir deslizam, 
perpassam levíssimas 
e viram-me o rosto. 
Lutar com palavras 
parece sem fruto. 
Não têm carne e sangue… 
Entretanto, luto. 

Palavra, palavra 5 
(digo exasperado), 
se me desafias, 
aceito o combate. 
Quisera possuir-te 
neste descampado, 
sem roteiro de unha 
ou marca de dente 
nessa pele clara. 
Preferes o amor 
de uma posse impura 
e que venha o gozo 
da maior tortura. 

Luto corpo a corpo, 
luto todo o tempo, 
sem maior proveito 
que o da caça ao vento. 
Não encontro vestes, 
não seguro formas, 
é fluido inimigo 
que me dobra os músculos 
e ri-se das normas 
da boa peleja. 

Iludo-me às vezes, 
pressinto que a entrega 
se consumará. 
Já vejo palavras 
em coro submisso, 6 
esta me ofertando 
seu velho calor, 
aquela sua glória 
feita de mistério, 
outra seu desdém, 
outra seu ciúme, 
e um sapiente 7 amor 
me ensina a fruir 
de cada palavra 
a essência captada, 
o sutil queixume. 
Mas ai! é o instante 
de entreabrir os olhos: 
entre beijo e boca, 
tudo se evapora. 

O ciclo do dia 
ora se conclui 8 
e o inútil duelo 
jamais se resolve. 
O teu rosto belo, 
ó palavra, esplende 
na curva da noite 
que toda me envolve. 
Tamanha paixão 
e nenhum pecúlio. 
Cerradas as portas, 
a luta prossegue 
nas ruas do sono. 


Autor: Carlos Drummond de Andrade


Voltar

Indique essa pagina para um amigo

Clique para Imprimir esta página

Problemas na Página? Avise-nos!

Ajuda e mapa do site

Ir para o topo da página