Ó minh'alma, dá o salto mortal e desaparece na bruma, sem pesar! Sem pesar de ter existido e não ter saboreado o inexistível. Quem sabe um dia o alcançarás, alma conclusa? Ó minh'alma, irmã deserta, consola-te de me teres habitado, se não fui eu que te habitei, hóspede maligno, com irritação, com desamor, com desejo de ferir-te: que farei sem ti, agora que te despedes e não prometes lembrar este corpo destituído? Ó minha, ó de ninguém, ó alma liberta, a parceria terminou, estamos quites!
Autor: Carlos Drummond de Andrade |