A grande dor das cousas que passaram transmutou-se em finíssimo prazer quando, entre fotos mil que se esgarçavam, tive a fortuna e graça de te ver.
Os beijos e amavios que se amavam, descuidados de teu e meu querer, outra vez reflorindo, esvoaçaram em orvalhada luz de amanhecer.
Ó bendito passado que era atroz, e gozoso hoje terno se apresenta e faz vibrar de novo minha voz
para exaltar o redivivo amor que de memória-imagem se alimenta e em doçura converte o próprio horror!
Autor: Carlos Drummond de Andrade |