Ó minha amante, eu quero a volúpia vermelha Nos teus braços febris receber sobre a boca; Minh´alma, que no calor de teus lábios se engelha E morre, há de cantar perdidamente louca.
O peito, que a uma furna escura se asemelha, De mágicos florões o teu olhar me touca; Ao teu lábio que morde e tem mel como a abelha, Dei toda a vida... e eterna ela seria pouca
.Ao teu olhar, oceano ora em calma ora em fúria, Canta a minha paixão um salmo fundo e terno, Como o ganido do luar de uma cadela espúria...
- Salmo de tédio e dor, hausteante, negro e eterno, E no entanto eu te sigo, ó verme da luxúria, E no entanto te adoro, ó céu do meu inferno! |