Amado, não pense você que aqui tudo são
flores
Ah! Quantos problemas carrego em minhas mãos
Mas lembro-me de você e vou enfrentando as minhas dores
Sentindo em ti um dileto amigo, muito mais que um irmão
Um amigo invisível que sequer conheço
Entretanto, tão vivo no meu dia-a-dia
Qual presença querida da qual não me esqueço
Porque está a meu lado e me faz companhia
É sublime amar assim sem poder se ver
É o amor manifesto com outra expressão
É puro amar assim sem nada querer
Talvez seja esta uma legítima afeição
Você carrega aí o teu fardo, a tua cruz
Eu enfrento aqui a minha luta, os meus dilemas
Mas para mim você é doce farol que me conduz
E eu modestamente tento suavizar os teus problemas
Não nos pertencemos e entretanto nos temos
Nada esperamos e se esperamos sofremos
Mas lá no cerne do quanto nos queremos
Sobrevive a tênue esperança de que ainda nos veremos.
São longínquas esperanças, remotos anseios
Mas não temos vivido destes devaneios?
Somos outonais e chega mesmo a ser irônico
Viramos adolescentes vivendo nosso amor platônico
Quando o amor é grande a gente não esquece
Os ânimos se altercam, a chama arrefece
Parece que vai morrer e de repente aquece
Ë que o coração tem razões que a própria razão desconhece !!!
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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