Era o sexto dia da criação
Tudo estava consumado, a Terra e o Céu
Então o Criador arrematou a sua obra
Colocando no Éden, Dominique e Guilherme Tell.
Ele não os criou com o barro da terra
Nem insuflou-lhes o sopro da Vida pelas narinas
Ele apenas escolheu dois anjos de elevada esfera
Que fulguravam exuberantes, feito estrelas purpurinas.
A Guilherme Tell deu a força, a lógica e a razão
A Dominique deu doçura, intuição e sentimento
De tal sorte que, estando ambos no Jardim do Éden
Eram a expressão de Deus e seu próprio Pensamento.
Sabia desde o princípio o Criador
Que aquele casal era feito a Sua imagem e igualdade
Que teriam eles os mesmos amplos poderes
Caso houvesse a fusão de suas polaridades.
Para o Criador, bastavam os dois na criação
Tudo parecia belo, perfeito, em harmonia
Contemplava a sua obra com admiração
E abençoava aqueles anjos que emanavam alegria.
Advertiu-os para que se mantivessem inocentes
Para que se amassem apenas como dois irmãos
Mas o amor que os unia era tão forte e abrangente
Que fundiram seus corpos e mentes, num só coração.
Irou-se o Criador com a rebeldia
E como castigo, separou-os para sempre
A um condenou a ser Sol do meio dia
E a outro a ser a Lua eternamente.
Foi assim que do amor de Dominique e Guilherme Tell
Nasceu o claro e o escuro, a noite e o dia
Enquanto um está em vigília a irradiar a sua luz
Não pode enxergar o outro que dorme em letargia.
O Sol tornou-se o deus da luz que ilumina e vivifica a Terra
A Lua, a eterna deusa que descortina o salpicado Céu
Mas há um segredo que a criação sutilmente encerra:
todas as estrelas são filhas de Dominique e Guilherme Tell.
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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