Sonhar ainda... Dispersa... Olhar perdido no horizonte. Ouço o barulho distante das ondas beijando o limo das pedras que respondem ao beijo com uma canção de minha infância na Pátria distante, sinto cada silaba como um eco... O mar enrola-se na areia. Bate na praia e desmaia, por que se sente feliz... Feliz...feliz... Meu coração é um barco cansado ancorado num corpo vazio. Meu rosto molhado, salgado, não sei se são lagrimas ou gotas deste mar... Um grito distante em agonia de uma gaivota ou de um lobo marinho... Talvez minha alma liberta nas ondas do mar solte todos os lamentos que contive toda a dor reprimida... Mar para onde me levas nas ondas do meu pensamento? Não quero partir na fantasia sem volta... Não quero mais sonhar, sonhos impossíveis... A tarde cai mansamente colorindo de amarelo e vermelho este mar azul como se fosse uma tela feita por um artista distraído, sem se preocupar com a simetria do conjunto luz, cor, sombra tudo já está no seu lugar, perfeito...lindo... nada a retocar. A maré sobe, a canção das ondas nas pedras aumenta seu volume tão rápido que consigo apenas ouvir.... ...ser feliz...ser feliz... Feliz o mar me deixa feliz... As águas me põem medo... Medo de nela mergulhar e partir para o desconhecido, rumo ao nada... A solidão a minha volta me faz bem, reflito, me encontro... Por entre as pedras batidas pelo vento, lavadas pelo mar percebo minúsculas flores, tão vivas, lindas a sorrir para mim existe vida nos lugares mais inesperados... Existe vida em mim ... As primeiras estrelas surgem no céu, as Três Marias, o Cruzeiro do Sul e ela a mais brilhante das estrelas ou planeta com luz própria. Faz tanto tempo, tanto... disses-te que éramos duas estrelas... Acreditar foi meu primeiro erro... Tua primeira mentira... Duas estrelas não... É apenas uma feita do mais puro diamante... Lágrima de saudade a brilhar para sempre dentro de mim... Como um sinal, como um sonho sem fim....
Autora: Zélia |