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Verdadeiro amigo


"Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vos sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." (João 15 .13,14).

Durante a Revolução Francesa, conta-se que, no meio do violento tufão que soprava sobre a Franca, dois jovens que ali se conheceram e se tornaram bons amigos descobriram certo dia, nos seus momentos de confidencias, que ambos amavam entranhavelmente. Eram dois apaixonados! No auge das revelações confidenciais, um deles arriscou perguntar ao amigo sobre quem era a jovem que, afinal, o transformou num homem, assim, perdidamente enamorado...

Surpresa inesperada! Ao analisarem as semelhanças tão profundas entre as suas namoradas, descobriram que ambos amavam a mesma jovem. Alem de amigos, havia entre os dois rapazes certos traços físicos que os faziam semelhantes, apesar de ser um inglês e o outro francês.

Decorridas algumas semanas, o moco francês foi acusado pelo tribunal da revolução como traidor da pátria e condenado a morte. Agora, as coisas começaram a mudar e o jovem esperava no cárcere a execução na guilhotina. Seus sonhos, seus planos e toda a sua esperança desmoronaram diante das circunstancias.

Assim, o amigo inglês achou que o campo estava livre e que poderia empenhar-se agora na conquista definitiva do amor da jovem, por quem ele também se apaixonara. Sem a concorrência do amigo, sem duvida as coisas seriam mais simples. Elaborou então, cuidadosamente, os planos na certeza de atingir o alvo tão desejado.

Criou uma oportunidade e expôs os seus sentimentos diante da moca. As reações dela, entretanto, foram de tão pouco entusiasmo, que de imediato ele constatou que ela amava o seu amigo com toda a lealdade. Não se deixou magoar e nem se sentiu humilhado ou diminuído, Pelo contrario, decidiu naquele momento que salvaria o amigo condenado, para que lhe fosse possível consumar o plano de desposar aquela jovem que tanto amava.

Conseguiu um salvo-conduto, entrou na prisão, e ali sem maiores esclarecimentos, convenceu o amigo de trocar de roupa com ele. Feito isto, entregou o seu próprio passaporte ao amigo, dando-lhe instruções para que se encontrasse com a moca e com ela fugisse para a Inglaterra, onde teria a oportunidade de transforma-la em sua esposa e na futura mãe dos seus filhos. A semelhança existente entre os dois impediria que fossem descobertos, antes que tudo se consumasse.

Quando finalmente o casal apaixonado desembarcava a salvo, uma carreta lotada de condenados rodava em direção a guilhotina. La ia o jovem inglês, sentindo-se realizado por poder tomar o lugar do amigo, e sobretudo feliz por poder desfrutar da certeza que a mulher que ele amou tão profundamente encontraria a felicidade real e completa nos braços do amigo, agora livre de qualquer suspeita.


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