"Levanta-te em nosso auxilio, e resgata-nos por tua benignidade." (Salmos 44.26).
Na busca de ajuda imediata em nossas horas de tribulação, o endereço infalível será sempre o de Deus. Ele e o nosso socorro bem presente na angustia. Entretanto, ocorrem situações em nosso dia-a-dia que se fazem necessárias as providencias de caráter humano. Nessas ocasiões e comum notarmos uma grande afluência de curiosos que, na verdade, prestam ajuda pouco significativa ou nenhuma ate. Alguns se postam de um lado só para observar; outros apenas arriscam uma sugestão poucas vezes acertada; e ainda outros andam de um lado para outro, mas sem realizar nada de efetivo, embora tentando demonstrar interesse no caso. Todavia, assim que a situação e resolvida, são muitos aqueles que querem apresentar sua folha de serviços para justificar uma participação ativa.
Certo cidadão viajava de carro com alguns amigos por uma estrada municipal pouco transitada e bastante mal conservada. Em determinado ponto, o carro encalhou num enorme atoleiro.
- O que fazer agora? - pensou o dono do veiculo.
Tentaram empurra-lo, mas por mais forca que fizessem não puderam mudar o quadro. Decidiram, então, procurar um trator nas imediações ou mesmo uma junta de bois que tirasse o carro do atoleiro. Saíram a procura. Só conseguiram os bois. Atrelaram-nos ao carro e então começou a operação:
- Vamos, Dengoso! Puxe de lá, Malhado!
Os pobres animais estiravam os músculos, num forte arranco, espicaçados pelo ferrão. Mas não era o bastante. Carecia que todos - viajantes e trabalhadores - metessem as mãos na tarefa, empurrando de ca, remando de lá, a fim de ajudar quando da arrancada dos bois. Nisto, surgiu uma mosca. Inicialmente, ela se comportou como simples espectadora, mas de repente, depois de entender a situação, decidiu intrometer-se na seara alheia, desejando ajudar... Preparou-se como se estivesse num campo de batalha! Enfim, toda operosa, começou o seu circuito de participação. Voou daqui, pousou acolá, zumbiu junto a orelha de um, picou o focinho do outro, atormentando os animais já exaustos e atrapalhando as pessoas; porem, tentava multiplicar-se de tal forma que dava a impressão de ser não uma, mas um enxame inteiro de moscas desocupadas e inconvenientes.
A luta continuava e o carro ia de milímetro em milímetro sendo retirado do atoleiro. Afinal, depois de uma demorada e difícil empreitada com os homens carregando entulhos, empurrando o veiculo, forcando os bois sempre a uma nova arrancada e, sobretudo, enlameados dos pés a cabeça, o automóvel foi retirado do atoleiro.
- Ufa! - exclamou a mosca. - Que trabalho mais exaustivo! Parece que nunca, em tempo algum, trabalhei tanto como hoje... - E, enxugando o suor da testa, a mosquinha se impôs com ares de vitoriosa!
Não é exatamente isso que muitas vezes acontece com o ser humano? |