"Não temas o que hás de padecer (...) Se fiel ate a morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Apocalipse 2.10)
No inicio do segundo século da nossa era, quando se levantou uma tremenda perseguição contra aqueles que criam e aceitavam o sacrifício de Cristo como o único meio de se chegar a Deus, certo cristão piedoso e sincero fora conduzido a presença de um rei, que exigia que o homem abandonasse terminantemente a Cristo e renunciasse a sua fé.
Cabeça erguida, feições serenas e olhar firme, lá estava o cristão, aguardando o pronunciamento do soberano. Sem qualquer rodeio esse falou:
- Saiba que se não abandonares agora a tua fé, serás desterrado.
O cristão, sem sinais de temor, contestou tranquilamente:
- Sua majestade poderá, sem duvida, banir-me do seu reino, mas jamais poderá desterrar-me nem afastar-me da presença de Cristo - o meu Senhor e Mestre que disse: "Não te deixarei, nem te desampararei" e que também prometeu: "Aquele que vier a mim, de modo algum o lançarei fora".
O rei ficou colérico. Os lábios tremiam e os olhos faiscavam... Então, destilando o veneno de toda a sua ira, bradou:
- Farei muito mais do que desterra-lo. Vou confiscar todos os teus bens e reduzi-lo a miséria. Eu quero ver de que te servira essa fé, quando te vires despojado de tudo quanto possuis!
Ainda tranquilo e sereno, o cristão respondeu:
- Esta ameaça não me abala, soberano. E mais do que isto: ela não me atinge, porque tudo o que possuo de real valor não esta acumulado aqui. O meu único tesouro esta guardado no céu, "onde a traça e a ferrugem não consomem e onde os ladroes não minam e nem roubam..." E o senhor jamais poderá toca-los, a despeito de todo o poder que tem nas mãos.
O rei, cada vez mais indignado com os insultos do súdito, gritou:
- A única coisa que me resta e mata-lo. Não tenho outra opção!
Diante da ameaça, o cristão apenas argumentou:
- Faz cerca de quarenta anos que estou morto. Morri com Cristo e a minha vida esta escondida com o meu Senhor em Deus. Agora, "vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim." Como vê, majestade, o Senhor não poderá nunca, por nenhum meio, tocar e nem destruir a minha vida. Estamos apenas de passagem por este mundo e não importa muito o numero de dias que permanecemos na terra. Outrossim, também não faz qualquer diferença o tipo de morte que sofremos, porque o que de fato esperamos e estar eternamente com Deus nos céus, onde "Ele enxugara de seus olhos toda lagrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamentos, nem dor" (Apocalipse 21.4). |