"A testemunha falsa não ficara impune; e o que profere mentiras não escapara." (Proverbios 19.5).
Celso era um garoto esperto, risonho e bom amigo. Nunca fazia qualquer malcriação para quem quer que fosse. Entretanto, tinha um terrível habito - era mentiroso. Em sua casa, ninguém conseguia acreditar nas suas informações. Eles moravam no prolongamento de uma rua, onde ainda não havia chegado o serviço de agua e esgoto. Precisaram, então, instalar uma bomba manual para encher o reservatório, que distribuía agua para o consumo diário da casa. Mas era necessário que todas as manhas a referida bomba fosse acionada, ate que o reservatório transbordasse. Sabia-se o momento de parar, quando a agua começava a escorrer pelo chão, vinda da caixa; era o sinal de que transbordara.
Essa tarefa foi confiada a Celso e ele, com a constante pressa de acabar sua obrigação para brincar, dava umas tantas acionadas na bomba e depois, com uma caneca, despejava agua no chão, embaixo do reservatório, e gritava: "Pronto, mãe, já enchi a caixa; a agua já caiu no chão. "O fato e que quase todas as tardes, em meio a um banho ou na lida da cozinha, a agua faltava e alguém precisava acionar a bomba novamente.
Certa noite, a mãe, falando com o pai a respeito da situação do filho que não se corrigia, perguntou-lhe: "O que vamos fazer com Celso? Parece que não ha nada que o faca falar a verdade. Ninguém pode confiar na palavra do garoto e isso me preocupa seriamente. "O pai, em tom conciliador, disse a esposa: "Ele vai aprender Um dia, ha de acontecer alguma coisa, que o fará compreender sobre a necessidade de falar a verdade para viver bem na terra, atingir as metas e realizar os sonhos. Você vera!"
Um dia, Celso voltou da aula entusiasmado com um passeio que faria no jardim zoológico. Contou que dois alunos prestariam relatório após o passeio e que o melhor deles seria premiado. Ele e João foram escolhidos e por isso iria prestar muita atenção, pois desejava que o seu fosse o melhor relatório; portanto, o premiado. Foram e passaram mesmo uma tarde agradabilíssima, vendo uma serie de animais ate então desconhecidos.
No dia seguinte, ele e o colega apresentaram verbalmente seus relatórios para os alunos das outras classes. Quando chegou a sua vez, ele começou a apresentar um relato fantástico... Falou dos macacos que faziam evoluções como malabaristas: das dez garças que comiam ração nas mãos do zelador (nem sabia que só existiam duas garças)... Falou... falou e falou. Finalmente chegou ao fim do estupendo relatório! Sentiu-se vitorioso!!! Foi-lhe difícil esperar pelo julgamento da comissão; ate que, afinal, chegou a hora da entrega do prêmio. A professora, depois de exibir diante de todos uma caixa de couro contendo um binóculo, falou: "A comissão decidiu unanimemente dar o prêmio ao João, por haver relatado exatamente o que viu."
Desapontado, Celso abaixou a cabeça e compreendeu que era necessário dizer a verdade para se sagrar vitorioso, em qualquer aspecto da vida.
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