Neco passeava pelo campo, a procura de passarinhos. Quando viu um no galho da árvore, colocou uma pedrinha na atiradeira e já se dispunha a atirá-la quando ouviu a voz do avô lhe dizendo:
- Você tem coragem de ferir um amigo, meu filho?
- Mas como um passarinho qualquer pode ser meu amigo, vovô?
O avô não respondeu a indagação. Em vez disso, perguntou ao neto:
- Você gostaria de plantar milho de pipoca e amendoim aqui onde estou preparando a terra para a semeadura?
- Sim, eu gostaria muito. Assim teremos pipoca e amendoim torrado com fartura, quando os colegas vierem brincar comigo, respondeu Neco.
- Pois bem, logo que estejam prontos os sulcos, você poderá planta-los.
Orientado pelo avô, o garoto plantou o milho e o amendoim. Depois de alguns dias de espera, começaram a aparecer os primeiros brotinhos. Cada manhã o menino corria, para ver o quanto as suas plantas se desenvolveram durante a noite. Certa manhã, ele notou que alguns insetos pequenos danificavam as plantações, comendo as folhinhas tenras. Ficou desesperado, pensando que isto significaria o fim das pipocas e do amendoim torrado. Saiu correndo a procura do avô, dizendo:
- Vovô, venha logo ver os insetos que estão destruindo minha plantação.
Quando chegaram ali, viram dois passarinhos, que pousaram no chão, bem perto das plantas. Foi ai que Neco gritou:
- Veja bem, vovô! Alem dos insetos, também os passarinhos estão comendo o que restou. Já sei o que vou fazer. Vou agora buscar minha atiradeira.
- Calma meu filho. Espere um momento. Fique daqui olhando os passarinhos. Preste atenção e verá que eles não estão comendo as plantas...
Os dois permaneceram quietos, reparando os passarinhos que bicavam delicadamente nas folhas. Depois de alguns momentos, saíram voando.
- Agora, vamos nos aproximar e examinar de perto as plantas - disse-lhe o avô.
Chegaram-se bem perto do canteiro e notaram que, na verdade, os passarinhos não picaram as folhas, mas tiraram os insetos que as destruíam, limpando-as e protegendo-as, portanto.
- Só agora e que compreendo como os passarinhos podem ser meus amigos - disse Neco. - Nunca mais quero pensar em matar um deles. Isto é maldade.
Então as aves continuaram a catar os insetos, que destruíam aquela plantação. Na época da colheita, o garoto recolheu algumas cestas cheias de milho e amendoim. Nunca mais se esqueceu de tratar as aves com carinho e como amigas, sabendo que esta era a maneira usada por Deus para alimenta-las, levando-as a nos prestar um grande serviço.
|