Regra I: Nós não devemos admitir mais causas para os fatos naturais do que aquelas que são ao mesmo tempo verdadeiras e suficientes para explicar sua ocorrência.
Por esse motivo os filósofos dizem que a Natureza não faz nada em vão, e mais será em vão quanto menos servir; pois a Natureza se agrada com a simplicidade, e não lhe afeta a pompa de causas supérfluas.
Regra II: Então para os mesmos efeitos naturais devemos, na medida do possível, atribuir as mesmas causas.
Como a respiração num homem e numa besta; a queda de pedras na Europa e na América; a luz do nosso fogo culinário e do sol; a reflexão da lua na terra, e nos planetas.
Regra III: As qualidades do corpos, que não admitam nem intensificação nem diminuição de grau, e que são encontradas em todos os corpos ao alcance de nossos experimentos, devem ser consideradas qualidades universais de todos os corpos, quaisquer sejam eles.
Pois desde que as qualidades dos corpos só são conhecidas por nós através de experimentos, nós devemos tomar como universais todas aquelas que concordam sempre com os experimentos... ( ) que todos os corpos são impenetráveis, nós concluímos não através da razão, mas da sensação. Os corpos que tocamos descobrimos impenetráveis, então concluímos ser a impenetrabilidade uma propriedade universal de todos os corpos ... ( ) se vemos, por experimentos e observações astronômicas, que todos os corpos sobre a terra gravitam em direção à terra, e em proporção da quantidade de matéria que cada corpo contém, e da mesma maneira a lua... gravita em direção à terra, e por outro lado, o mar gravita em direção à lua, e cada planeta em direção ao outro... ( ) devemos... ( ) admitir que todos os corpos possuem um princípio de atração mútua... ( ) a partir das aparências podemos concluir com mais força pela gravitação universal de todos os corpos do que por sua impenetrabilidade; da qual, na região celestial, não temos experimentos, nem qualquer possibilidade de observação ... ( )
Regra IV: Em filosofia experimental devemos admitir que proposições inferidas por simples indução dos fenômenos são precisas ou bem próximas da verdade, desconsiderando qualquer hipótese contrária que possa ser imaginada, até o momento em que outro fenômeno ocorra, pelo qual elas possam ou se tornarem mais precisas, ou passíveis de exceção.
Esta regra nós devemos seguir, que o argumento da indução não pode ser descartado por hipótese.
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