A obra fundamental do iluminismo francês e europeu, em geral, é a Enciclopédia: Enciclopédie ou dictionaire des sciences, des arts et des métiers. Foi publicada entre 1751 e 1780, em 34 volumes. Foi dirigida por João D'Alembert (1717-1783), autor do famoso Discours préliminaire, e por Denis Diderot (1713-1784) autor também de alguns escritos filosóficos - Pensées sur l'interprétation de la nature (1754), etc. Entretanto colaboraram na enciclopédia os iluministas mais famosos, chamados por isso enciclopedistas. Entre eles Voltaire e Rosseau. O movimento dos enciclopedistas foi um poderoso meio para a difusão e vulgarização das idéias iluministas, na França e no estrangeiro.
A figura dominante do iluminismo francês é Francisco Maria Arouet, dito Voltaire (1694-1778). Viveu em Londres entre 1726 e 1729, e aí escreveu as famosas Lettres sur les Anglais, trazendo para a França o iluminismo. Caído na desgraça do Rei e da Corte da França, foi acolhido (1750-1753) por Frederico II, em 1755, retirou-se para Ferney, perto de Genebra, daí dominando o mundo da cultura européia. Entre as suas obras, as que mais interessam à filosofia, são: Lettres sur les Anglais (1734); Métaphysique de Newton (1740); Éléments de la Philosophie de Newton (1741); Candide ou de L'optimisme (1756); Dictionnaire Philosophique (1764); Réponse ou Système de la nature (1777).
Pelo que diz respeito ao problema filosófico em geral, o iluminismo francês adere ao empirismo de Locke desenvolvido no sensismo de Condillac, ou até no ceticismo. Pertence a esta última tendência Pedro Bayle (1647-1706), autor do Dictionnaire Historique et Critique, meio eficaz de difusão do iluminismo antes da grande enciclopédia. Bayle propagou a incredulidade pela Europa toda, sustentando a irracionalidade da Revelação: mesmo contra a própria intenção do autor, que pretendia mostrar a necessidade de se apoiar na Fé em face dos máximos problemas, sendo a razão humana impotente para solucioná-los.
Assim, o mecanismo (empirista e racionalista) é levado até o materialismo por La Mettrie e D'Holbach, atacados por Voltaire.
Julião Offrai de La Mettrie (1709-1751) é o autor do famoso livro L'homme machine; o barão Teodorico D'Holbach (1723-1789), um alemão que viveu em Paris, é o autor do não menos famoso Système de la nature, onde o materialismo se manifesta em cheio.
Acerca do problema religioso, a atitude iluminista é decididamente hostil à igreja católica e se propõe a si mesma esmagá-la (écraser l'infâme): quer admita uma religião natural, com a crença em Deus, na imortalidade da alma, nas sanções ultraterrenas, como sendo necessárias para a conservação da ordem moral e política, segundo o ideal deísta (Voltaire); quer chegue até ao ateísmo e ao hedonismo, como, por exemplo, a corrente iluminista chefiada por Cláudio Helvetius (1715-1771), autor do livro De l'Esprit.
Pelo que concerne aos problemas sociais e políticos, enfim, para os quais o iluminismo tinha naturalmente um interesse especial, manifestam-se também duas atitudes: a do assim chamado despotismo iluminado, isto é, do absolutismo racional, para o bem dos povos e da humanidade - acredita-se na razão, mas não no povo que se quer elevar. Daí a necessidade da força a serviço da razão. A outra atitude ou tendência é a que deriva do liberalismo constitucional. Esta corrente, pelo contrário, manifesta confiança no povo ou, melhor, na burguesia, desejosa e capaz de liberdade. Característica desta concepção política é a divisão absoluta dos poderes supremos: legislativo, executivo e juduciário. O maior expoente dessa corrente é Carlos de Secondat, Barão de Montesquieu (1689-1755). É o autor das Lettres persanes, das Considérations sur les causes de la grandeur des Romains et de leur décadence, e do Esprit des lois. Nestes escritos se manifesta um racionalismo iluminista temperado, desenvolvido em sentido historicista, concreto, pelo sentido de variedade das leis em relação às condições dos povos.
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