Pra você chorar comigo


Deixa a noite vir que é só mais uma.
Maior é cada instante que não passa
e a certeza do mais nada na espera.

A fuga em cada riso que eu invento
num olhar contando os pingos da vidraça.
Um quê a me acusar da minha culpa, 
seguida da desculpa
frágil como o vento.

Somente as espirais por companhia
e um vinho esquecido a meio-copo, 
tinto quanto eu
e amargo o tanto quanto.

O peito no compasso do soluço.
O peito soluçando em descompasso.

Os restos dos abraços
- fantasmas do meu quarto - 
rondando-me na sala.

Lá fora quer entrar a madrugada
e a calma que trazia hoje é nenhuma.

E já que tudo é nada, 
deixa a noite ir que é só mais uma.


Poeta: Antoniel Campos
Email: procivil@uol.com.br


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