Quando fôres bem velha, à noite, à luz da véla, Junto ao fogo do lar, dobando o fio e fiando, Dirás, ao recitar meos versos e pasmando: Ronsard me celebrou no tempo em q fui bella.
E entre as servas então não ha de haver aquella Q, já sob o labor do dia dormitando, Ao nome de Ronsard não vá logo acordando E abençoando o esplendor q o teu nome revela.
Sob a terra eu irei, phantasma silencioso, Entre as sombras sem fim procurando repouso: E em tua casa irás, velhinha combalida,
Chorando o meo amor e o teu cruel desdém. Vive sem esperar pelo dia q vem; Colhe hoje, desde já, colhe as rosas da vida.
Autor: Pierre de Ronsard Tradução: Guilherme de Almeida
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