Flor nirvanizadas


Ó cegos corações, surdos ouvidos, 

Bocas inúteis, sem clamor, fechadas, 

Almas para os mistérios apagadas, 

Sem segredos, sem eco e sem gemidos. 

Consciências hirsutas de bandidos, 

Vesgas, nefandas e desmanteladas, 

Portas de ferro, com furor trancadas, 

Dos ócios maus histéricos Vencidos. 

Desenterrai-vos das sangrentas furnas 

Sinistras, cabalísticas, noturnas 

Onde ruge o Pecado caudaloso... 

Fazei da Dor, do triste Gozo humano, 

A Flor do Sentimento soberano, 

A Flor nirvanizada de outro Gozo! 


Autor: Cruz e Souza


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