Espasmos...


Alma das gerações, alma lendária 

Que tens tanto de Hamlet, tanto de Ofélia, 

A candidez da rórida camélia 

E as lágrimas da Sede hereditária. 

Alma dormente, tumultuosa, vária, 

Acorde de harpa misteriosa e célia, 

Virgindade selvagem de bromélia, 

Alma do Eleito, do Plebeu, do Pária. 

És a chama do Amor, negro-vermelha, 

De onde rompeu a fúlgida centelha 

Que a Flor de fogo fez gerar no Dante. 

Com teus espasmos e delicadezas, 

Nervosas e secretas sutilezas 

Enches todo este Abismo soluçante! 


Autor: Cruz e Souza


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