A Noite


A nebulosidade ameaçadora 
Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios 
E urde amplas teias de carvões sombrios 
No ar que álacre e radiante, há instantes, fora. 

A água transubstancia-se. A onda estoura 
Na negridão do oceano e entre os navios 
Troa bárbara zoada de ais bravios, 
Extraordinariamente atordoadora. 

A custódia do anímico registro 
A planetária escuridão se anexa... 
Somente, iguais a espiões que acordam cedo, 

Ficam brilhando com fulgor sinistro 
Dentro da treva omnímoda e complexa 
Os olhos fundos dos que estão com medo!

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