A Esmola de Dulce


E todo o dia eu vou como um perdido 

De dor, por entre a dolorosa estrada, 

Pedir a Dulce, a minha bem amada, 

A esmola dum carinho apetecido. 

E ela fita-me, o olhar enlanguescido, 

E eu balbucio trêmula balada: 

- Senhora, dai-me u’a esmola - e estertorada 

A minha voz soluça num gemido. 

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo, 

Estendo à Dulce a mão, a fé perdida, 

E dos lábios de Dulce cai um beijo. 

Depois, como este beijo me consola! 

Bendita seja a Dulce! A minha vida 

Estava unicamente nessa esmola. 


Autor: Augusto dos Anjos


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