Há momentos na vida que temos que abrir mão
de tudo que fazia sentido, das nossas verdades e do que reputávamos como
sendo os nossos valores. Constatamos que eles se tornaram inúteis ao nosso
crescimento, já fazem parte do passado e a vida, não se detém olhando para
trás, antes, caminha para a frente, em busca de novos acontecimentos.
Há momentos na vida que todas as vigas mestras que asseguravam a nossa
sustentação vêm abaixo e a casa cai, independente da nossa tácita recusa
ou inaceitação.
Há momentos na vida que ficamos sem saber para onde ir, que nada consegue
nos alegrar, motivar ou seduzir e, em compasso de espera, vamos assistindo
a fragmentação das nossas estruturas, agora transformadas em quimeras.
Nestes momentos ( que têm o peso de uma eternidade), nada nem ninguém pode
fazer nada por nós ... estamos definitivamente vazios e sós, porque até a
Natureza se cala e Deus perde a fala, indiferente ao nosso torpor.
Em meio à dor, esmiuçamos o que sobrou de nós, remexemos entre os
escombros e descobrimos que algo ainda não morreu.
Tênue e frágil, lá está uma pequena centelha de esperança, aguardando uma
virada do destino, que certamente nos surpreenderá com novas alegrias ...
e com tantos outros desatinos.
Momentos ...
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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