Meus Fantasmas


Deixem-me em paz todos vocês que me atormentam

Que fazem-me cobranças veladas

Que brincam com as minhas culpas

Que julgam-me inepta e despreparada

Que pegam carona nas minhas carências

Que tiram partido dos meus temores

Que superestimam o que lhes convêm

Que subestimam o que ignoram

Que deitam sal em feridas expostas

Que enfraquecem-me com forças opostas

Que gotejam fel em esperanças parcas

Que aviltam-me a alma com profanas marcas

Que minam as bases daquilo que prezo

Que erigem edifícios sobre o que desprezo

Que vestem máscaras horrendas que não quero ver

Que retiram os sete véus do que é preciso esquecer

Que se instalam como símbolos múltiplos e insidiosos

Que aparecem como ratos nos meus pesadelos

Que insistem neste estranho jogo de dualidade

Que fazem parecer mentiras as minhas verdades

Deixem-me em paz todos vocês

Deixem-me em paz

Deixem

Apenas

PAZ

 

Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos

http://www.fatimairene.com

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