Pegarei todos os meus sonhos e os
despacharei em envelope pardo,destinatário incerto, sem remetente
Passarei um pincel escuro no arco-íris que inocentemente eu desenhei,
carregado de cores.
Amassarei de vez todas as flores de mentirosas esperanças e
arrancarei até mesmo os falsos botões que estão por vir.
Nublarei a noite quando ela me escancarar a lua cheia, apagarei uma a uma,
todas as estrelas que teimarem em tremeluzir.
Tingirei de cinza a manhã mais luminosa do meu santuário
emudecerei o canto do meu sabiá canoro e não farei mais festa para o meu
colibri.
Desfarei todas as pegadas do caminho, onde os teus passos e os meus
estiveram perfilados.
Encherei de colcheias e semifusas confusas todos os fados e canções que
arrancaram lágrimas deste meu coração emocionado.
Farei em pedacinhos,pequenas e grandes lembranças palpáveis, sem esquecer
aquele CD e o vestido de marquinhas, aquele que você gostava, mas não
chegou a conhecer.
Destroçarei também as recordações não palpáveis, que um dia me deram
provas incontestes do teu amor
E dizimarei todas as angélicas hostes que me atrelaram a ti, esquecidas da
minha dor.
E , se porventura em sonhos, minha alma desvairada te buscar e, em prantos
te encontrar andando pela rua,
Abraça-me, com aquele carinho de antigamente
Porque sonhando, nossas almas não mentem
E a minha te dirá que ainda...SOU TUA !
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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