Coração Angustiado


Sinto-me tão só ...

Eu e esta estranha sensação de toque de recolher
Eu e esta nítida impressão de algo por acontecer
Eu e esta estranha opressão de fora para dentro
Eu de respiração presa
À mercê das moiras do tempo.

Sinto-me tão só ...

Todas as cordas da alma, tesas
As frágeis paredes já não detêm a represa
E as águas encapeladas do meu descontentamento
Vazam desordenadas,
Encharcando a várzea soturna das minhas incertezas.

Sinto-me tão só ...

Abandono-me assim, sem resistência
Deixo vazar, deixo alagar, deixo inundar
Solto-me fluida, em passiva aquiescência
Enquanto a várzea encharcada
Bem baixinho rumoreja:

Amar ...
           Amar ...
                      Amar ...

 

Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos

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