Um caso de amor que merece ser filmado


Eram 6 horas da manhã quando o telefone me acordou num hotel em Miami. Sonolenta, não identifiquei a voz masculina que dizia me conhecer de Madri. Eu chegara da capital espanhola havia poucos dias e não me lembrava de Ter cruzado com ninguém especial lá. Confusa, pedi a ele que ligasse dali a 1 hora. A curiosidade me despertou. Minha mente voou para Madri. Cafés, teatros e...não, podia ser. O único homem que me impressionara se contentara em me olhar num almoço na Plaza Mayor. Não se aproximou da nossa mesa nem quando minha mãe e minha tia se retiraram. Pôr que me procuraria?

Num telefonema solucionei parte do mistério. Era mesmo ele – confirmou minha mãe. Arrependido de não ter abordado, ele passara 3 dias ligando para hotéis 4 e 5 estrelas tentando me achar. Depois de descrever as 2 senhoras e a moça se cabelos encaracolados para um número incontável de recepcionistas, chegou até minha mãe. Só Quinta tentativa conseguiu convence-la a lhe dar meu telefone nos Estados Unidos . na verdade quem a persuadiu foi minha tia. Em sua imaginação romântica ele podia ser um magnata interessado em me contratar como modelo.

As 7 horas em ponto o telefone e nos crivamos de perguntas. Ele contou que era francês, empresário, budista, casado e pai de 3 filhos. Durante 4 dias trocamos faxes e observações sobre a vida e vasculhamos similaridades astrológicas. Dizia-se impressionado com o impacto que eu lhe causara e insistia em mandar as passagens para Paris. Não poderia encaixar uma viajem na agenda. Acabou cedendo diante da minha recusa ( e se fosse um louco?), cruzou o Atlântico e passamos juntos em Miami, meu último fim de semana de férias.

Conversamos durante horas, passeamos pela praia, transamos. Fascinado ele recitava poemas. Foram 2 dias de muito afeto, mas a química que faz a gente se emocionar e se entregar sem restrições não aconteceu. Pelo menos para mim.

Mas deixei rolar. Seu cuidado em preservar a relação me comovia. De abril a julho de 1997, ligava todos os dias para o Rio de Janeiro as 8 horas, estivesse na Suíça ou no Marrocos. Pediu um fax com minhas impressões digitais. Enviou-as, com as dele, para um guru indiano. A análise o fez outra vez cruzar o Atlântico: eu era, mesmo sua alma gêmea.

O romantismo foi o mesmo. Mas consegui convence-lo de que nossa história não tinha sentido e concordamos em continuar amigos. Ainda nos falamos esporadicamente.

Esse homem delicado e generoso me deixou mais aberta para o amor. Tanto que estou apaixonada pôr um brasileiro – que nem se lembrou do meu aniversário. Meu único presente foram as flores do amigo francês .


Depoimento de Fátima Nollén, 31 anos, jornalista.


Net Love - Amor Moderno
Plugada no mundo. Ligada em você !
http://www.amormoderno.com.br/