"Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobre." (Salmos 12.2) "Abre uma cova, aprofundando-a na cova que fez." (salmos 7.15)
Por muitas razoes as pessoas, muitas vezes, tem deixado de ser honestas nas sugestões dadas; nas relações mais intimas e ate nas suas próprias preferencias. Ora o fazem para não melindrar alguém e ora deixam de fazer para ser agradável a outrem. Mas ainda existem aqueles que vão alem - cultivam a falsidade com o intento de ridicularizar alguém ou ate para serem considerados modernos, finos, de bom gosto... Algumas situações embaraçosas e que, aparentemente, foram bem planejadas, tem, entretanto, destruído algumas das intenções mesquinhas dos seus criadores.
Sogra e nora eram absolutamente diferentes. A primeira, milionária, porem, simples e autentica. A nora, não. Com o casamento, conseguiu razoável posição social, mas ate os seus gestos eram estudados; a voz tipo empastada; sua maneira de vestir e andar soavam falso. Contudo, ainda era tida como mulher de bom gosto. E foi por causa desse "bom gosto" que a sogra lhe incumbiu de comprar alguns novelos de lá da melhor qualidade, para que ela crochetasse um xale. A única exigência era que fosse cor-de-rosa pálido, bem bonito!
A sogra ultimava o enxoval da sua caçula, que estava noiva. Julgando ser o referido xale para o enxoval da cunhada, a nora saiu para comprar a lá. "Cor-de-rosa - pensou - só poderia ser essa a cor em tom bem maravilha para satisfazer o gosto dos caipiras..." Então, antegozando o prazer de ridicularizar, escolheu o tom rosa bem chamativo. O rosa-shocking! Voltou para casa triunfante. A sogra estranhou o bom gosto da nora, mas agradeceu-lhe e começou o trabalho. Era ela o protótipo da mulher virtuosa. Tinha as mãos sempre ocupadas.
O trabalho cresceu e a nora não poupava elogios a capacidade da sogra e a beleza do trabalho após concluído. Certa de estar mesmo correspondendo ao gosto da nora, ela caprichava no acabamento da peca, e quando já ultimava o remate do xale, a nora, maldosamente, sugeriu um laçarote em tom ainda mais vivo, nas duas extremidades. Vendo que a sogra acatou sua opinião, ria-se intimamente ao imaginar a cunhada protegendo os ombros com aquele xale cafona, caipira...
E foi assim, diante das falsas exclamações de admiração, revestidas de ironia da nora que repetia sem se cansar - "que obra de arte! quanta perfeição!" - que a sogra, contando agora com a presença do filho, entregou o xale a nora dizendo: "E seu. Eu o fiz para você! Foi por essa razão que lhe pedi que escolhesse o tom a seu gosto, pois já sabia que a cor era a da sua preferencia"
O marido, que jamais percebera a falsidade da esposa, acabou por impor-lhe, involuntariamente, o maior castigo ao dizer: "Hoje jantaremos fora com nossos amigos e quero que use o xale que representa a fusão do seu bom gosto com a capacidade artística da mamãe!" |