O cuidado do Tiziu


"E a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma." (Tiago 1.4).

O caminho para a perfeição e forrado com provações, sacrifícios e tribulações que exigem de cada um de nos a mais completa persistência. Aquele que pretende realizar uma tarefa altruísta, com toda dignidade e perfeição, ha de ser sobretudo perseverante. A inexperiência em determinados aspectos da nossa vida quase sempre acarreta falhas, que nos levam ao desanimo no prosseguimento do trabalho que nos propusemos realizar; e quantas vezes, por falta de perseverança, deixamos de executar uma obra de valor eterno.

Tiziu despertou, comeu algumas bananas e foi brincar com os outros macaquinhos. Tanto pulou que acabou descobrindo, no alto de uma arvore, um ninho com três filhotes que, com os bicos abertos, gritavam desesperadamente. Chamou os companheiros para que juntos descobrissem o que poderiam eles fazer para ajudar os filhotes. Um dos mais espertos optou logo:

- Estes filhotinhos estão com fome, pobrezinhos.

Tiziu correu e voltou trazendo uma banana. Tirou a casca para que os filhotes a comessem; acontece que eles ainda não sabiam bicar... Dai chamou sua mãe, mas ela explicou que não entendia de passarinhos! Entretanto, sem desanimar, ele saiu a procura da tartaruga, já que os filhos dela também nascem de ovos como os passarinhos. Esta explicou que as tartaruguinhas quando nascem não carecem dos cuidados da mãe, porque são capazes de se cuidar. Assim ela também não podia prestar ajuda. Saiu e foi falar com a sapa, porem, depois de esclarecimentos, outra recusa. Sem desanimar, o tiziu arriscou falar com a senhora do peixe, mas a resposta ia sendo a mesma - não tinham experiência sobre como cuidar dos filhotes...

O que fazer? Os filhotinhos morreriam de fome, já que ninguém sabia como alimenta-los. A garça, ao ouvir sobre o problema, disse ao tiziu:

- E muito simples. Basta raciocinar: para cuidar de filhotes de passarinhos só mesmo outra mamãe passarinho. Vi ha pouco uma tico-tico acabando de ensinar seus filhotes a voar. Agora que eles se foram, ela certamente dispõe de tempo para esse mister.

Imediatamente, o macaquinho persistente entrou em contato com a tico-tico e em pouco tempo já se encontrava junto ao ninho dos filhotes abandonados, trazendo a mamãe tico-tico para tomar conta deles.

- Coitadinhos! Como estão famintos! O que teria acontecido aos seus pais? - disse ela cheia de compaixão.

Voando com diligencia, num momento estava de volta, trazendo alimento em seu bico e presenciando, feliz, a gulodice dos filhotes. O tiziu só ficou observando os vaivéns daquela mãe adotiva, que só parou quando viu os novos filhos satisfeitos e tranquilos. O paciente macaquinho desceu realizado, na certeza de haver desempenhado uma tarefa digna e completa.


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